O Relatório de Riscos Globais 2026, publicado pelo Fórum Econômico Mundial, revela uma perspectiva cada vez mais pessimista entre líderes e especialistas, com a maioria prevendo um cenário de instabilidade e "tempestades" ao longo da próxima década. O relatório destaca o surgimento de uma nova ordem competitiva, onde o confronto geoeconômico e a fragmentação social dificultam a cooperação multilateral necessária para enfrentar crises sistêmicas. Essa atmosfera de incerteza é agravada pela aceleração tecnológica, especialmente da IA, e pelo enfraquecimento das instituições tradicionais na gestão de turbulências globais em um mundo "à beira do precipício".
No curto prazo, o cenário empresarial enfrenta o que o documento descreve como um "acerto de contas econômico". O aumento da dívida pública, a inflação persistente e a possibilidade de bolhas de ativos criam um ambiente de alto risco que exige maior resiliência. Essa pressão econômica, aliada à "multipolaridade sem multilateralismo", força as organizações a operarem em um contexto onde instrumentos econômicos são usados para vantagem estratégica, aumentando a volatilidade e incerteza no comércio e nas cadeias de suprimentos.
Quanto à agenda ambiental, o relatório emite um alerta crítico sobre a "despriorização" dos riscos ambientais no horizonte de dois anos. A crise climática continua sendo percebida como a ameaça mais grave para a próxima década, com "Eventos climáticos extremos" classificados como o risco global número um e metade dos 10 principais riscos de longo prazo sendo de natureza ambiental. Essa preocupação existencial é reforçada por evidências científicas – 2024 foi o ano mais quente já registrado, e as temperaturas devem exceder 1,5°C acima dos níveis pré-industriais na próxima década, intensificando padrões climáticos extremos. Contudo, apesar desse consenso esmagador de longo prazo, urgências econômicas e geopolíticas estão reduzindo a prioridade atribuída aos riscos ambientais no curto prazo.